Duas
culturas... Chocam-se... Nasce um amor entre uma mulher branca e um chefe
guerreiro Lakota.
A Filha
Pálida da Lua
A Filha Pálida da
Lua
Irma
Rosa
A linda e jovem July se encontrava indefesa e perdida na floresta, após
um naufrago, na qual ela e seus pais estavam seguindo naquela embarcação rumo à
terra prometida. Após terem entrado naquela simples embarcação, seguiram rio
abaixo juntos com outras pessoas que seguiam ao mesmo destino. Seus pais tinham
recebido uma proposta de emprego nas minas de um minerador, mas o destino lhe
pregou uma peça. Agora ela se encontrava sozinha perdida no meio da mata. Até
que, do nada aparece um grupo de guerreiros indígenas, que com um olhar
assustador, um dos selvagens percebe que ela se encontrava escondida entre uma
moita de salgueiro. Sem forças para se defender, ela encara o
selvagem.
Lobo Negro
encarou a linda mulher assustada, que se levantara e preparava para correr na
tentativa de escapar. Aquela filha pálida da lua lhe roubou o coração. Seria ela a mulher que o grande
Pejuta Wichasha,xamã, curandeiro da tribo, lhe havia revelado através
de uma visão, na ultima vez em que ele se juntara ao conselho para receber o
manto sagrado de pele do lobo negro, e que agora ele se tornara o grande chefe
daquela tribo? Querida leitora,
Gostaria que você
apreciasse esse segundo Romances que escrevi sobre índios, sou apaixonada pelos
nativos americanos, e por isso decidi que todos os meus romances serão escritos
pensando nesse povo maravilhoso que faz parte de nosso mundo mágico da
literatura romântica indígena. Espero satisfazer o seu maior sonho, está na sua
imaginação o poder de se sentir-se nos braços fortes desse guerreiro indígena,
Lobo Negro.
Um beijo bem grande de
sua mais nova autora, Irma Rosa
PRÓLOGO
Sentado em circulo no hocoka,espaço sagrado ,a
moda indígena,Lobo Negro,se encontrava no conselho da tribo para ser nomeado
pelo grande xamã o novo chefe da tribo. A cerimônia já tinha começado quando o
sol ainda estava no alto do céu pai,naquele momento ,já era noite. O Pejuta wishasha,xamã,Orador Grande,espargia as fumaças de tabaco no ar, e batia com a ponta do
tacape no chão ,parte do ritual sagrado, o mesmo em que se repetia desde seu mais distantes ancestrais,para escolha do novo chefe que iria suceder
Grande Urso,o velho chefe que partira para o céu pai há três luas atrás.
--- Orador Grande, precisa dizer a Lobo Negro,
a visão sagrada do sonho que ele teve com o jovem chefe que guiará nosso povo
para uma nova caminhada em busca do lugar onde o povo gozará de grande
harmonia, abrigo, paz e fartura.
— Qual é o significado de sua visão? Orador grande fala e Lobo Negro
escuta. —Lobo Negro perguntou ao feiticeiro que se manteve em silêncio por
alguns instantes. Com o cachimbo na mão direita, e com a esquerda bateu no
peito três vezes e respondeu:
— Apenas o espírito sabe, porém
duas luas se passarão, até que, os olhos de Lobo negro vejam e seus ouvidos
ouçam. Aquela que será trazida pelas águas e que se tornará a mãe de seus
filhos e lhe aquecerá seu tapete de dormir quando seus ossos forem se de
finando pelos muitos invernos que se terão passado. — fez uma pequena pausa, depois continuou
revendo a visão. —Ela tem a pele branca como a neve presa nos picos das grandes
montanhas, seus cabelos não são da cor presente na escuridão da noite,
mas brilha ao ser tocados pelos raios dourados do Sol.Tem a intensidade azul do
Céu Pai,presos nos seus olhos.E fogo nos ossos,lutará ate o fim para escapar
dos braços do destino,quando for encontrada e capturada pelo homem que a
tornará sua esposa e mãe de seus filhos.
Lobo Negro o olhou com grande
admiração. Falou do mais profundo do seu
coração: —
Essa daí será carne da minha carne, e ossos dos meus ossos. Unirei-me a ela na
cerimônia de acasalamento, seus mocassins pisarão onde os meus pisarem, seu
corpo aquecerá o meu tapete de dormir. Fará os deveres de esposa do chefe da
tribo. Eu a tornarei minha para sempre, seus seios serão beijados, e
acariciados por minhas mãos, e plantarei em seu ventre a minha semente, sinal
da aliança que faço com meu povo a partir de hoje. E seu ventre gerará o meu
sucessor que cuidará de guiar o povo Lakota ate outro lhe suceder seu
lugar. —O espírito do Grande Lobo Negro me revelou que será
seu guia e protetor pelo resto de sua vida. Será seu guardião forte e lhe guiará seus passos, além de
garantir a habilidade de conduzir seu povo para os lugares que muitos búfalos
habitam, onde o povo terá o que comer e se agasalhar durante a temporada da
neve. Em troca, haverá muitas obrigações. — o xamã continuou a revelação. —
Obrigações que cabe ao chefe executá-las com freqüência. Você estará disposto a
aceitar o Espírito do Grande Lobo Negro como sua força pessoal? Ser digno de
tal honra? Reverenciá-lo diariamente através de sua coragem, suas atitudes e
obrigações de defender a tribo dos perigos?
— Sim estarei. — prometeu, o
Grande Feiticeiro enlevado com a proteção que teria do grande espírito do Lobo
Negro e a honra que teria de ser o chefe do povo Lakota.Faria o possível e o impossível
para honrar esse povo e guiá-los com proteção e segurança para os lugares onde
teriam comida ,abrigo e lugar para o povo crescerem com paz.— Para mim será uma
honra ser o chefe de nossa tribo,e prometo dar o melhor de mim para protegem
meu povo,meus ancestrais terão orgulho de mim, e os espíritos que se encontram
já em repouso no colo do céu pai ,verão que Lobo Negro não irão decepcioná-los.
Respondeu com grande orgulho— Espero que
o povo se ache satisfeito por terem escolhido Lobo Negro como seu chefe e guia
protetor, mostrarei sempre digno de terem acreditado em mim.
Lobo Negro agora sabia, que o
tempo em que tinha dedicado para preparar-se para ser o novo chefe da tribo
tinha valido apena, pois não tinha tomado por esposa nenhuma outra mulher, e
era livre para desposar a mulher da visão do Feiticeiro. Sentiu um anseio
corroer-lher a alma, quanto tempo se
encontrava sem ter uma mulher em seus
braços. E
agora ficaria esperando com muita ansiedade a hora em que encontraria a mulher
da visão. Com
grande satisfação, o xama balançou a cabeça e deu um forte abraço em Lobo
negro.
— A partir desse dia seremos o
seu povo e você será nosso chefe ate o dia em que seu filho,por ter alcançado
diversas façanhas como você o fez,venha tomar seu lugar.
Capitulo Primeiro
Eram seis horas da manha, o
céu ainda estava escuro, com enormes nuvens acinzentadas, salpicadas de branco,
quando uma velha embarcação seguira em direção do grande rio que levava ao
território de Dakota do Norte. Uma pequena tripulação de pessoas que iriam tentar
a sorte nas minas de ouro neste território onde a edificação de um pequeno
povoado estava em andamento. Era uma promessa de vida nova para muitos que se
encontravam endividados ou sem um teto para morar. July e seus pais se
encontravam naquele pequeno barco, iriam trabalhar nas minas de ouro de um
senhor bastante influente naquelas regiões, muito se ouvira falar que era uma
oportunidade de se conseguir dinheiro para comprar uma habitação e um meio de
melhorar de vida. Havia um anuncio escrito num jornal que David Hunter o dono
das minas, estava contratando pessoas para trabalhar nas suas minas de ouro,
ele teria colocado que pagaria uma quantia boa aos homens e às mulheres que se
interessassem a trabalhar cozinhando e lavando as roupas dos mineradores que
não tinham esposas.
Estavam na metade do grande
rio em meio à floresta, faltando ainda uma longa jornada para chegarem a seu
destino, ouvira-se um grande alvoroço, de mulheres e homens gritando sem parar,
ao dar-se com o barco de encontro uma enorme cachoeira. Era tarde demais para
escaparem, era impossível de se
conseguir desvencilhar-se dela, pois estavam muito em cima, e o vento aumentava
a agitação das águas fazendo o barco correr mais rápido do que o
devido,precipitando com muita fúria para a cachoeira assassina. Ainda presa ao
frio do inverno, a floresta, ao longo das margens, dava a idéia de um vazio
esverdeado e sem fim a cor da água gelada do rio.
De repente se ouviu o barulho
do casco do barco se partindo em duas partes, e com gritos de horror foram
arrastados pelas correntezas e jogados com violência contra aquela cachoeira, e
o sonho de uma nova vida se tornara impossível para aquela gente.
— Mamãe, papai! Não me deixem! — gritou July
desesperada.
Ela mergulhou numa escuridão sem fim quando tudo se apagou em sua volta
e ela não se conseguia ver mais nada. Ate o momento em que ela acordara daquele
pesadelo, e lembrara-se do que lhe aconteceu, e que se encontrava jogada
deitada na beira do rio devido ao náufrago do barco. Com os ombros curvados,
July forçou-se a permanecer imóvel. Levantou os olhos e viu na distância, um
grupo isolado de montanhas com seus picos cobertos de neve que se erguia de
encontro ao céu coberto de pesadas nuvens escuras. O barulho de pássaros e o
piar de uma águia eram assustador. Enormes pinheiros com seus troncos grossos
rodeavam dos dois lados as margens do rio. O vento soprava fortemente fazendo
seus cabelos se soltarem da presilha, seu vestido longo se encontrava
encharcado e cheio de areia e folhas secas, grudando à sua pele que se
arrepiava com o frio. July
começou a se mover na tentativa de se levantar, porém seu corpo estava todo
dolorido e também se sentia muito fraca, parecia que tinha sido esmagada de
encontro ao casco do barco. Naquele lugar o brilho do sol era bastante
diferente de sua terra natal, havia apenas uma sombra daquilo que se parecia
ser as luzes dele, enormes nuvens escuras povoavam o céu dando a impressão de
que viria a qualquer momento uma tempestade. O medo tomou conta de seu coração,
sentindo pela primeira vez a impressão de estar totalmente sozinha sem ninguém
para ajudá-la.
Mas espere ai, onde estariam seus pais? E o resto
da tripulação do barco? Ela lembrou. Pondo-se com dificuldade
de pé, ela começou dar uma olhada por todos os lados,
mas, porém não avistou nada, ninguém por perto, onde
teria ido parar todo mundo?Teriam sido arrastados pelas correntezas rio abaixo? July
deu uma rápida olhada às margens do rio, mas a água se encontrava tão escura
que não dava para enxergar praticamente nada no fundo. Endireitou o
corpo com cuidado, e começou a caminhar, sentia-se muito fraca, não se lembrava
da ultima vez que havia comido alguma coisa, mas de repente sentiu uma grande
tontura e desfalecendo, caiu com muita força na areia molhada da beirada do
rio.
Minutos passados, ao voltar
daquele leve sinapse de inconsciência, ouvira algo se mexendo próximo onde ela se encontrava caída. A impressão era a de que
alguma coisa ou alguém estava se aproximando de onde ela se encontrava, com o
mínimo barulho possível ouviu o barulho de galhos e folhas secas sendo pisadas
suavemente. Seu sentido se pôs em alerta, permanecendo quieta onde estava,
sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha dorsal, sentiu um calafrio, medo,
melhor dizendo terror, lembranças passadas onde ela era protegida o tempo todo
pelo pai, passaram pela sua cabeça, e agora?Onde ele estaria para lhe
proteger?Sentiu um grande vazio encher-lhe o peito ao se recordar de momentos felizes
passados junto a seus pais, sentia-se sozinha desprotegida, exposta aos perigos
daquele lugar em meio aquela estranha floresta selvagem. Mas ainda com os
ouvidos apurados tentava descobrir quem estaria causando aquele barulho?Chamou
num tom baixinho cheio de medo:
— Papai?
Mamãe?
Não houve nenhuma resposta,
apenas um assovio de um pássaro estranho soou por perto e foi respondido logo
pelo companheiro ainda mais próximo.
Ficou mais uma vez imóvel,
mentalizando o som estranho em sua mente, uma sensação de um mau pressentimento
veio a perturbar-lhe o coração. Apurou os ouvidos mais ainda e ficou alerta
pronta pra se defender se algum daqueles selvagens viesse a atacá-la, percorreu
com o olhar a clareira de maneira minuciosa. Mas no peito, o coração disparava
a cada som emitido no meio da floresta.
Estava com um mau
pressentimento, e o medo de que a qualquer momento algo poderia acontecer-lhe a
estava deixando os cabelos da sua nuca e dos braços arrepiados.
July pode sentir uma rajada de
vento frio passar por ela, de repente ela soube que seu futuro era algo que não
se podia pensar naquele momento de horror e o medo do futuro. Que de
certa forma era algo tão distante quanto aquelas nuvens escuras lá no céu,ela
pensou .Um futuro sem seus pais, e que teria que enfrentar agora sozinha,
futuro esse muito diferente daquele que haviam planejados juntos com eles.
July rogou uma prece a Deus
rezando baixinho, uma sensação de abandono encheu o vazio de seu peito, não
sabia se chorava, ou se soltava o grito de desespero que se encontrava preso em
sua
garganta. Mas
as lagrimas foram persistentes em silêncio, ela desabou a chorar, jamais se
esqueceria dos pais que muito amava, ela iria lutar para procurar seus
vestígios, custasse o que custasse iria encontrar alguma coisa que provasse se
estariam mortos ou se estavam vivos em algum lugar desconhecido por ela.
Outra vez ela ouviu o assovio
do pássaro, sentira outro arrepio percorrer-lhe as entranhas, seus olhos passaram
pelas planícies e vegetação altas, de repente ela teve um sobressalto ao
avistar a poucos metros de onde ela se escondera, próximo uma moita de arbustos
localizados na entrada da mata, quatro índios estava chegando, dois carregavam
preso em um pedaço de madeira um veado morto. Tinham os rostos pintados de
preto e vermelho, o peito, estavam nus, também com a mesma pintura, e a parte
intima coberta pela minúscula tanga de pele de gamo. Carregavam alforje com
enormes flechas pontiagudas e arcos presos aos ombros nus.
Com a respiração entrecortada,
July estava completamente, chocada, que mal podia conter um grito de horror.
—Meu Deus! —ela gritou
tampando a boca com as mãos para abafar o grito cheio de medo. Seus olhos
percorreram o chão ao seu redor a procura de algo para se defender,
achou um pedaço de madeira e o arrastou-se ate onde ele se encontrava.
Segurando-o com ambas as mãos,
July se preparou para o pior que poderia vir acontecer-lhe. Ouviu barulho às
suas costas e olhou, viu que um deles estava em seu encalço. Ela se
levantou em disparada numa corrida desenfreada rio abaixo, tropeçou
diversas vezes sem desistir de escapar das garras dos índios,
levantando e caindo ela seguiu em fuga, com a respiração ofegante, mas sempre
continuando em frete até encontrar uma moita de salgueiro que se encontrava
longe dali. As barras rendadas das saias se enroscaram nos galhos secos de uma
arvore caída e rasgaram-se, um arranhão enorme em sua testa logo começou a
jorrar sangue, a dor não impediu que ela continuasse sua fuga desesperada.
Gritos estranhos dos selvagens
chegaram ate onde ela estava escondia, com a respiração suspensa ela pode
perceber que eles a viram em fuga e embrenhar-se na mata, eram gritos roucos e
selvagens, um medo enorme invadiu o coração de July. De repente fez um silencio total, ofegante ela
rezava baixinho, para que eles não a encontrassem ali escondida, sabia muito
bem das historias horripilantes sobre os nativos selvagens, que seus pais lhe
contavam quando ainda pequena. Tinha certeza que se eles a encontrassem iriam
capturá-la e fizer dela sua prisioneira e ate mesmo matá-la.
Ela continuava tentando
controlar as batidas forte de seu coração, respirando com dificuldade, ate que
a escuridão total veio e ela não viu mais nada. Alguns minutos se
passaram, após ela ter novamente perdido a consciência, ate aquele momento em
que ela começou a voltar a si. Soltou um grito de horror ao deparar com um
par de olhos incrivelmente negros que estavam encarando-a com toda
sua plenitude. Deus ajude-me!Tudo isso poderia passar apenas de um terrível
pesadelo do qual eu irei acordar. Ela pediu em pensamentos. Seu
maior desejo agora era estar juntos dos pais onde quer que eles estivessem,com
certeza seria melhor do que estar ali sozinha. Ansiava pelo toque de carinho da
mãe em seu rosto quando todas as noites ela ia a seu quarto desejar-lhe boa
noite, o beijo carinhoso de seu pai...se pudesse voltar atrás antes de partirem
naquela aventura.
Num
salto ela se levantou armando-se com o pedaço de madeira para se defender do
índio que a encarava com a cara pintada com riscos de vermelho e preto. O índio
tinha pernas longas e musculosas e estava vestido apenas com uma tanga e
perneiras feita de pele de alce, nos pés um par de mocassim de cano
longo todo enfeitado de contas vermelhas e pretas, seus olhos capturavam os
mínimos detalhes do índio a sua frente. Carregava preso ás costas uma aljava
cheia de flechas feitas com muito cuidado, e perfeição, o arco se encontrava na
mão direita, era um arco especial, diferente dos que já tinha visto antes. Seu corpo
era todo pintado de riscas pretas e vermelhas, um corpo musculoso sem um pingo
de gordura se quer, no braço direito havia um bracelete feito de couro com a
figura de um lobo negro pintado a mão. Teria algum significado aquele símbolo
do lobo? Como marca registrada do índio? Ela se perguntou admirada. Trazia
preso no pescoço escultural, um colar confeccionado de contas na cor preta e
vermelha, conchas coloridas e uma enorme garra de urso presa por
tiras de couro davam o retoque final. A cor de sua pele era de um bronzeado
muito parecido com o cobre. Os cabelos se encontravam preso em duas longas
tranças bem feitas, que atingiam até o meio da sua cintura forte e escultural,
uma faixa feita de pele do couro do lobo vermelho rodeava-lhe a
cabeça e prendia uma cabeça curtida do Lobo Negro. Algo que só reparara na
cabeça dele, seria o símbolo de que ele era o chefe daqueles índios que ali se
encontravam? O rosto tinha três riscos de cada lado, alternados de preto e
vermelho, outra marca registrada do índio o nariz aquilino, um rosto que
parecia ser esculpido no cobre puro, maças salientes, o queixo bem modelado, e
a boca era bem feita. Os olhos muito negros pareciam devorá-la. Ela sentiu um
forte magnetismo fluir-se deles. July parecia hipnotizada por eles, se
encontrava totalmente paralisada, não conseguia
mover-se para tentar escapar e fugir dele. O tempo estava se passando, parecia
até que seus olhares se congelaram, nenhuns dos dois conseguiam desviar o olhar,
totalmente hipnotizada pela magia daquele momento de total reverênciamento
entre eles. Ela não pode deixar de notar o pulsar das artérias no pescoço
moreno do índio, o maxilar esquerdo ser fortemente prensado. Segundos se
passaram e se transformaram em minutos intermináveis enquanto o medo ia cada
vez aumentando em seu peito e começou a subir ameaçando sufocá-la. Até que July
deu um passo para trás, pois fim naquele momento de pura magia. Sempre com o
olhar sobre o selvagem, num ataque mortal ela
desferiu-lhe um golpe letal, sentiu ter acertado em cheio o braço esquerdo do
índio. Viu um jato de sangue jorrar-se, e escorrer pelo corpo do selvagem,
quando ele o levara de
encontro ao peito musculoso num gesto de aplacar a dor. Porém o índio revidou como um tigre feroz
saltou encima dela, e com o braço bom a agarrou e jogou-a no chão duro cheio de
pedras. Surpresa com a rapidez com que ele a nocauteou, ela passou a mão na
boca ao sentir gosto de sangue na garganta.
Uma dor profunda nas costas a
fez notar o peso do corpo musculoso do seu captor, que se encontrava com as
pernas uma de cada lado de seu corpo prensado no chão duro e frio. July
soltou um grito quando ele prendeu lhe os pulsos com mãos de aço, e
forçaram-lhe a encará-lo. Seus olhos eram frios e parecia estar muito mais
muito zangado. Ela tentou soltar-se, mas sentiu-se impossivelmente incapaz de
fazê-lo. O rosto sombrio curvou-se para o seu mais e mais, até a
respiração morna dos dois ficar entre ambas as bocas. July sentiu-se
derreter-se diante daqueles olhos negros e perscrutadores.
De repente, ela começou a
lutar desesperadamente tentando escapar do ataque do índio, e sai de
debaixo de seu corpo, porém ele era mil vezes maior e mais
forte, jamais conseguiria escapar daquele maldito selvagem. Parou de lutar como
uma criatura frágil e cansada presa a uma armadilha mortal. Seu captor parecia
estar se divertido com ela, pois um leve meio sorriso em sua boca deixou
transparecer as bordas de
dentes incrivelmente brancos, e perfeitos. Um sorriso encantador, ela pensou.
— Não! Não! —
gritou com todas suas forças que lhe restavam
ainda.
Cerrou
os punhos e, com uma força de que não se supunha capaz, pôs-se a golpeá-lo na
tentativa de readquirir a liberdade.
Seus golpes acertaram o rosto
pintado e ela viu a expressão feroz nos olhos negros do índio. O braço do
selvagem continuava sangrando e ela teve a idéia de deferir um golpe naquele
ferimento. Foi ai que ele a soltou, com um brado de dor ele caiu para trás...
Ela levantou-se depressa e começou a correr para as margens do rio. Ele
pareceu surpreso com sua resistência e percebeu sua intenção de
entrar no rio. Ele gritou em um inglês muito ruim. —
Perigo! Rio,
perigo! July
continuou entrando devagar no rio, sem se importar com o alerta do selvagem.
Percebera as correntezas mais fortes do outro lado das margens, foi ai que ela entendeu
a língua do selvagem, apesar de não se importar, pois de qualquer forma ela
estava sem muita escolha mesmo naquele momento. Porem num minuto em que ela se
distraiu. O índio deu um salto ate onde ela estava e a agarrou novamente, e
levantando-a nos braços levou-a para fora do rio. O sangue começou a fluir
novamente do corte em sua testa e começou a pingar no corpo do índio
misturando-se com o dele que corria de seu braço machucado. Algo mágico
aconteceu naquele momento, ela pode sentir no mais íntimo do seu ser.
Sentiu uma enorme satisfação
de estar novamente presa por aqueles braços forte. Porem, o medo continuava a
ameaçá-la, e ela começou a sair daquele estado de magia, pois precisava reagir
novamente, mesmo sabendo que escapar do índio era algo que estava longe de
acontecer. Ele era forte, muito bem treinado para capturar suas presas,
isso era um ponto a mais a favor dele. E ela era uma criaturinha frágil, com
apenas dezessete anos de idade, que acabara de completar duas semanas
atrás antes de ela ter partido de navio com os pais.. Jamais se via capaz de
escapar, mas iria lutar ate o último dia de sua vida.
O guerreiro a prendia com força entre seus
braços, ela lutava para escapar, mas não conseguia, enfim, ele a colocou frente
a frente com ele, novamente, o olhar dele parecia despir-lhe a alma,
e ela piscaram diversas vezes para diminuir aquela atração que começava a fluir
em seu intimo, de novo. Será que ele estava sentindo o mesmo que
ela?
A magia passou
subitamente, seu olhar se desviou por um momento, e ela o viu virar a cabeça
para o lado para o lugar onde logo apareceram os outros membros do grupo, eram
mais três guerreiros que tinham cada um sua personalidade e forma de se vestir
e pitar os corpos. Aproximaram-se sem fazer o mínimo ruído e logo a encararam
com um olhar de admiração. Ela viu-se rodeada por índios que pareciam
encantados com a presa que seu amigo tinha entre os braços.
Seu captor, por um momento diminuiu
a pressão dos braços ate eles se abrirem totalmente e cair ao longo do corpo.
Mas ela parecia que se sentia amparada, protegida por ele. Olhou-o nos olhos
como um pedido de ajuda, será que os outros seriam piores do que ele?Ele
permanecia imóvel, olhando para ela com um ar de dominação, Seu olhar era
intenso e penetrante, e isso doía-lhe ate no mais intimo de seus ser.
Ela não sabia se corria ou se
continuava onde estava de repente um dos guerreiros que havia chegado naquele
momento, deu um pulo e agarrou-lhe o pulso com força e com um sinal pediu para
que o outro índio amarrasse as mãos dela para trás com um pedaço de corda. Não
davam a impressão de querer matá-la, mas tinha certeza que daquele dia em diante
sua vida estava por um fio, e isso a amedrontava cada vez
mais.
July
odiou o primeiro selvagem que a tinha apanhado, ele permanecia imóvel sem ao
menos ajudá-la. Continuava a olhar para ela com uma impressão indecifrável no
olhar. Ela tentou se soltar, mas o índio a segurava com muita força, e ouviu um
tipo de implicação parecendo com um rosnado apenas. Continuava em pé e ereta,
porém não conseguia mover os braços por mais que tentasse.
— Posso ficar com ela Lobo
negro?— pediu um guerreiro em voz baixa.
July sentiu um forte arrepio
percorrer-lhe o copo quando as mãos do índio percorreram-lhe o corpo, sentiu
dedos fortes apertarem-lhe a cintura delgada.
— Não. Eu a encontrei,
primeiro, e por isso caibo a mim como chefe, decidi- lhe seu destino. Ela
mostrou coragem e espírito forte como jamais vi em outra mulher. Ela Terá a
chance de merecer ou não viver com o povo Lakota.
A linguagem usada por eles era
meio difícil de compreender, porem deu para ela entender que discutiam seu
futuro.
— Mas você já tem a sua
prometida, não foi o Grande feiticeiro mesmo que lhe disse que a sua vira há
seu tempo? —replicou o guerreiro.
— Reflita bem, Lobo Negro. Eu
preciso de uma esposa para semear minhas sementes, logo se sabe que devemos
aumentar o nosso povo que estão cada vez mais reduzidos por causa das doenças
trazidas pelos olhos brancos e pelas lutas com os casacos azuis. Esta mulher
pode me dar muitos filhos. Vimos como ela e forte e lutou ate o fim contra a
sua captura. Esta filha pálida da lua tem força e vigor para continuar meu
espécime.
Lobo Negro manteve-se firme.
Ao falar, sua voz, rouca e baixa, não escondia a angústia, pois tinha certeza
que aquela mulher era a sua prometida vista na visão do feiticeiro, e jamais
iria conceder a outro aquela mulher, que em seu coração seria a sua única
esposa e mãe de seus muitos filhos.
— É verdade. Alce Ligeiro, você disseste bem. Mas essa daí será
conduzida ate nossa aldeia para que seja ouvida pelo povo. Ela servirá para
ajudar as mulheres em seus trabalhos diários, com a colheita de frutos
silvestres raízes. Também ajudará a cuidar das crianças pequenas, entregarei a
Ursa Maior,minha mãe ,para que ela fique em sua tenda como sua escrava, e a
ajudará a aprender os costumes de nossa cultura para que seja igual as nossas mulheres da tribo .
Os outros índios o fitaram,
sabendo-se que a ultima palavra era essa, pois o chefe era Lobo Negro e teriam
que concordarem com ele.Com gestos de cabeça puseram fim naquela discussão.
Porem Alce Ligeiro ficou muito ofendido com a decisão de Lobo Negro.
Tomando a corda nas mãos que
Alce Ligeiro tinha amarrado July Lobo Negro deu um sinal para que começasse a
nova caminhada de volta à aldeia. July começou a ser arrastada por ele, e por
pouco não caiu ao tropeçar em uma pedra no meio do caminho. Os raios fracos do
sol, filtrados por entre a copa das árvores, refletiam na pele das costas e
parecia o acariciar-lhe como uma amante, realmente aquele era o mais belo de
todos os homens que ela tinha visto em toda sua
vida.
Os olhos negros
voltaram-se para olhá-la, e parecia penetravam-lhe a alma. Tocando
seu rosto com as pontas dos dedos, Lobo Negro perguntou-lhe: —Estas cansadas, Filha
Pálida da Lua?
July
se retraiu diante do toque suave e carinhoso dos dedos dele e respondeu com
muita fúria no
olhar. —Meu
nome é July Hunter,e não Filha Pálida da Lua,seu selvagem
cretino! Pele vermelha!
Ele soltou
um rosnado, feroz e com violência a puxou pela corda, a fazendo cair de joelhos
no chão duro. Ouviu murmúrios amedrontadores acompanhados por gestos de
cabeça. Observou as figuras ameaçadoras Dos outros índios, que pararam para
esperar o desenrolar daquela cena. Dominada por uma apreensão mais angustiante
do que aquela sentida quando considerava a morte uma coisa certa. As lembranças
das historias sobre mulheres capturadas por selvagens vieram- lhe a
mente.
Ele ajoelhou-se ao seu redor e resmungou algo
que se parecia para que ela lhe obedecesse para não acontecer-lhe o
pior.
Perplexa, ouviu o argumento raivoso de Lobo Negro, e se pôs de pé
novamente. E todos se voltaram à caminhada na trilha no meio da
selva. Palavras
excitadas soaram entre ele e os outros selvagens.
Alce
Ligeiro estudou-a com olhar perscrutador, e pode ver no seu olhar toda raiva
contida neles por Lobo Negro, sorriu, isso era um ponto ao se favor,
pensou, e deu de ombros e saiu de perto deles.

Quero ler todo o romance, mas só axhei até o quarto capitulo. Aonde posse ler ele todo?
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